Não sei por onde começar. Fosse um apóstolo de um qualquer estilo literário que inicia o processo de escrita a partir de qualquer parte de um racíocinio. No fundo andasse a pé na minha escrita e não me preocupasse com merdas que, como um avião, só levanta e aterra numa pista qualquer perdendo todo o detalhe do percurso pela distância exigida. De barco ainda penaria mais: visse o que visse só veria o mesmo mesmo que ao fundo o horizonte fosse outro e o H2O tem cócó e isso não fumo.
Entretanto já comecei e desde então já tenho os dedos cansados. Estou com pressa. Tenho internet agora e quero surfar - notem acima de tudo como é interessante o recurso a esta palavra que não se aplica a teias - enquanto a internet está com vento on-shore ou lá como isso se chama. Não tenho internet em casa, não tenho, não. Até fico mais estúpido a escrever embora o recurso seja mais acertivo do adjectivo que é esta palavra.
Histórias ou estórias, quem vos conta distingue-se apesar da sílaba com que começa. É certo que correcções ortográficas podem marcar a diferença e não falo das que passam o vermelho sobre aquilo que escrevemos, se o fazem é porque percebem o escrito e isto, mesmo que cromaticamente nos mande à merda, é só um sinal de que as palavras que escrevemos- ao menos essas senhor - perceberam-se quais eram, independentemente de o conteúdo ter sido vomitado ou não por umas orelhas de certeza sujas por um outro vómito anterior qualquer.
História...Não a posso escrever do meu canto isolado para o qual o mundo não olha. Tivesse estudado engenharia ou física nuclear ou outra coisa qulquer e me debruçado sobre temas sem qualquer tipo de interesse para a natureza humana muito complicados, mesmo muito complicados, e permitisse que com eles fossem construídas coisas bombásticas, mesmo muito bombásticas, que quando falassem delas fosse sempre com um H grande. Fosse um senhor qualquer agarrado a ideais de outro senhor qualquer barbudo (pausa) parecido, mas oposto, ao senhor de barbas que é pai sem ter filhos e que tem um nome que, embora estranho, todos conhecem e que ninguém goza com ele, na natureza de valores; visse no vermelho o ouro e quisesse que tudo fosse de todos e achasse que todos deveriam ser como eu e cortasse sonhos que não tivessem sido programados por mim e...e. E. Virasse cada página com cada passo que dou e pusesse um ponto num parágrafo ditado pelos meus gestos com cada racíocinio que não imponho.
Estórias...Só as tenho pela inexistências das outras que o H distingue. Sonho somente e não vivo o que é escrito por mim com uma noção de intemporalidade mais ou menos relativa mas sempre irreal. Queria ser grande e não sou e procuro por entre parágrafos soltos o sinal com que o meu subconsciente transmite o desejo que também é meu mas que se recusa a partilhar com o meu raciocínio orquestrado por entre as responsabilidades de um dia. No que crio por reflexo vejo sombras de uma dicotomia quase tão estranha que quero que não seja minha e que, só por isso, digo que criei num rasgo de fúria ou de tristeza procurando sempre justificar ao mundo, pelo teor negativo do momento, as minhas representações violentas da realidade que eu sei ser. Há demónios que me perseguem constantemente e anjos que me empurram ou me levam para longe deles: o vermelho assume sempre a minha forma e o outro é sempre outra qualquer, como se expusesse numa superfície com mais ou menos arte uma morte promovida por aquele que dela é retirado num gesto tão puro quanto um sentimento permite.
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Está calor mais uma vez no Maputo. O sol já se começa a pôr mesmo que Verão seja e mesmo que sejam só 5 e meia da tarde. A sala está cheia dos mesmos e do mesmo de sempre. Até escrevo com a mesma cara que me é habitual. Hoje porém houve uma surpresa mais ou menos alegre:
"Estás triste, o que se passa?" - perguntou-me alguém que por cortesia não nomeio.
Estava. Está calor mais uma vez no Maputo. O sol já se começa a pôr mesmo que Verão seja e msmo que sejam só 5 e meia da tarde. A sala está cheia dos mesmo e do mesmo de sempre. Até escrevo com a mesma cara que me é habitual.