segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O processo do regresso não a casa mas de onde saí.

I

Oh meu amor, meu mais que tudo o resto
Aqui estou eu no executivo assento
Estou longe da janela mas tão lento
Sinto que passa o mundo não estás perto.

Divirto-me c'oa música e testo
O cadeirão moderno, tenho medo
Que ele não funcione e eu bem cedo
Lá tenho de acordar e eu não quero.

Agora habituado a ter-te ao lado
Parece que mais chato, desconfiado
Agora me acho e exijo mais

Que estará a fazer neste momento?
Será que me partilha o tormento?
As memórias que trago são letais.

II
Quase estou a aterrar
faz já zum-zum o meu ouvido.
III
Está um calor dif'rente no Maputo
O sol está coberto a terra ferve
Os pés de uma criança que me pede
E que eu com um pão ao ar entregue enxuto.
CAda hemisfério nos define um mundo
Que do outro contrasta e só se pede
Para que tudo o que falta seja entregue
á nossa mão por um qualquer Deus mudo.
Está um calor dif'rente mas está frio
O sol está coberto e envolvido
pelo cinzento que em mim eu trago.
Estivesses neste canto só comigo
Fosses o que pediu o que me viu
Esperasses na esquina p'ronde passo.