Aqui os graus são demais
Só condicionando o ar
Não se sentem tão letais
os momentos que frugais
Só acabam por matar.
E a postura só engana
Grau a grau tanto tão mais
Vestes a farda que pana
Deitas-te só numa cama
Só de ti blindado vais...
E vais e vais sem qualquer rumo
Como um palhaço que mente
Nada tendo é teu tudo
O que ditas dita o mundo
Há muito que não és gente.
II
Comida, barriga farta
De um pouco de ou de tudo
Tão cheios o que se passa
Beber água que só mata
Não existe neste mundo.
Entrada que só me engana
Carne ou peixe que sacia
O talher cruzado mando
Tudo aquilo porque clama
Para o nada a maioria
E sobre a mesa não resta
Nada, tudo consumido
Fez-se rápido a festa
Vamos, depressa depressa
Não quero nada negrinho.
III
O hipermercado até era
À minha primeira vista
tudo aquilo que se espera
Até la na nossa terra
o comércio se faria.
Olhando nas prateleiras
na secção de higiene
vi letras não vi ideias
as letras eram tão estranhas
Só p'la forma vi um creme.
Fiquei chocado à saída
- Um, dois, três funcionários?-
Só recebe uma menina
A outra põe na saquinha
Confirma o outro com fato.